segunda-feira, 9 de junho de 2014

Afinal, o que é traír?

Tenho um homem. Tenho um homem que pode muito bem ser o homem da minha vida e, ainda assim, olho para o lado. 
Tenho um homem que pode muito bem ser o homem da minha vida e, ainda assim, tenho um ou outro caso paralelo. 

Uma coisa não tem nada a ver com outra. Eu gosto mesmo dele, e não quero deixá-lo. Mas ainda assim olho para o lado.

Porque é que todos me condenam? Não me sinto criminosa, embora me sinta amedrontada e perseguida pelos juízos alheios. 

Não consigo perceber porque é que os outros não entendem a minha visão, em que traír é estar com uma pessoa e amar outra. 

Afinal o que é traír? E porque é que para mim é diferente daquilo que é para o resto do mundo? 

Às vezes gostava de ser igual a toda a gente. 

Com os "paralelos", há sempre uma cumplicidade, carinho, intimidade... Mas não sendo apenas e só, cruamente, sexo, também não é amor.

Será que sou uma aberração da moral e bons costumes? Ou será que sou um ser iluminado acima da moral que a sociedade definiu?

Não sei. Sei que seria mais tranquila (e sabe-se lá mais o quê) se fosse igual a toda a gente. 





quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Ok.

Ok.

Estava  atentar encontrar uma música que te queria enviar, mas não consigo.
Acho que ouves música de uma forma diferente de como eu ouço música (ouves/compreendes/percepcionas).
De qualquer modo, acho que consigo perceber. Consigo ouvir a mesma música de duas (?) formas distintas. E curiosamente a música soa bem diferente. Não consigo explicar mas gostava de fazer uma ressonância funcional ouvindo a mesma música de formas distintas e investigar se existem diferenças a nível do funcionamento cerebral. 

Estas a rir? A sorrir talvez? 

Não tem piada!! :)
Estive recentemente a ver um documentário sobre línguas estranhas faladas por crentes em religiões. Científicamente parece que eles conseguem "desligar" a parte do córtex que é treinada desde a infância para fazer com que não balbuciemos (e que faz com que a nossa fala seja coerente e padronizada), e  conseguem assim falar fluentemente uma "língua" sem qualquer padrão. 
Porque não poderá passar-se o mesmo com a forma como percepcionamos a música? :)

É uma daquelas coisas em que de vez em quando dou por mim a pensar.´

Estou mesmo mal naquele trabalho :p
Por falar em trabalho, tenho tido muito, e hoje... bem, hoje, saltou-me a mola e em resposta a uma insinuação do tipo " sabes ler?" respondi "deves estar a gozar com a minha cara". O contexto foi, eu perguntei algo, ela respondeu que sim, levou um raspanete porque eu fiz aquilo que lhe perguntei (e enquanto levava o dito raspanete ainda contra-argumentou), mas depois veio, cheia de fel,
ter comigo, dizer-me para abrir um documento geral e perguntar:" O que é que está aí escrito?". Duas vezes. 
Tenho de trabalhar nisto. Porque hoje, não tenho presença de espírito para parar, respirar e cagar de alto nesse tipo de situações, saindo airosamente e sentindo-me interiormente superior.  Não: Salta-me a tampa à marmita, vou aos arames, passo-me dos carretos, espalho-me (e quando eu me espalho... ninguém me junta!) salta-me a mola e sobe-me a tensão a ponto de entrar em sério risco de AVC. 
Acho que ainda me meto noutro curso: desenvolvimento pessoal e comunicação não-violenta.

(Claro que sei o que posso, o que não posso e quando posso e não posso. Mas apesar disso hoje estiquei-me um bocadinho).


Isto parece um diário. À falta de música lavei aqui a minha alma.  Bem podias lavar a tua também (se bem que não sei bem se tens disso ).

Preciso de psicoterapia. Nota-se muito?  


Beijinho. Dá notícias, senão desassossegas-me (ou se calhar é ao contrário e desassossegas-me quando me dás notícias).

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O resultado de um café 2 anos (?) depois da última vez que te vi.

Bolas, como é fácil deixar-me pelo beicinho. Disseste-me que estava tão bonita e aquilo ecoa na minha cabeça desde aí. Que maravilha! Há já bastante tempo que mo não diziam da forma como o disseste.

Obrigado.
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A minha mente e a minha parte emocional não funcionam como a tua. Entende que a culpa é algo capaz de me perseguir vorazmente. Tenho medo disso. De mim.

Apesar de isso ter mudado, continuo a ter uma atracção por ti que me desconcerta (desde sempre, aliás).
Acho que também andei à procura em ti de algo que me fizesse gostar menos ou que me fizesse sentir menos atraída por ti.
E andei à procura (em ti) de um carinho especial por mim.
 (Encolho-me ao escrever isto, incomoda até).
Não sei se com isso procuro algo que me dê algum conforto na minha mácula. (Provavelmente.)

Pensando nisso, tenho a leve impressão de o ter sentido. Mas tão leve que não sei se existiu. (Existiu? Existe?)

Nunca pensas nisto? Sou só eu? 
Sinto-me um bocadinho perdida, confesso. 


Porque não partilhas mais de ti? :)
Medo? (Não de mim... de ti próprio. De perceberes que és maior do que aquilo que conheces? E de percepcionares coisas que podem agitar aquilo que pensas ser sólido em ti ? Não há desconforto como o de perceber que somos mais do que aquilo que conhecemos. É uma aventura, um desafio e... muitas vezes (falo por mim), um verdadeiro prazer.


Um beijinho psico-chato-filosófico-característico . 

domingo, 21 de outubro de 2012

Senti-me nua quando li isto.


O homem que não traía

"Olha, vai indo pra lá e me espera naquela posição.

De quatro, de costas, de bruço, com a cara voltada para a parede, com a cara enfiada na poltroninha da sala moquifada de um flat moquifado. A cara encostada no geladinho da última chuveirada. De cara pro chão.

Assim ele a queria: sem olhar em seus olhos, sem beijar sua boca, sem sentir sua alma. Assim não era traição, ele pensava.

Ele era um homem sério, apaixonado pela mulher, apaixonado pelo filho que estava aprendendo a dizer papai, apaixonado pela instituição família, apaixonado pelo apartamento novo, apaixonado pela casa na praia com cadeirinha de balanço de frente para o mar, apaixonado pela profissão, apaixonado pelo salário, apaixonado pelo respeito que tinha por ser um homem de família e bem-sucedido, apaixonado demais pra ter alguma nova paixão.

Olha, vai indo pra lá e me espera naquela posição. A posição ela podia escolher, desde que fosse qualquer uma em que ele não visse seu rosto.

Ela aceitava e tanta submissão a excitava. A hipocrisia disfarçada de todos os relacionamentos era a maior causa de sua angústia indescritível. Ela tinha um nojo da dualidade de intenções dos seres humanos que ora amam, ora usam, e preferia a clareza da sacanagem e a certeza do vazio. Ela escutava o som da porta, o cheiro dele invadia o quarto e ela desabrochava como uma flor ao se alimentar do Sol, mesmo com tanta escuridão. Uma pressão sem a menor pretensão de carinho a lançava para frente, ele a prendia pelos cabelos.

Aquilo durava horas até que tanto suor trouxesse a obviedade do banho. Ele tomava primeiro e se despedia dela, sem olhar pra trás: tchau minha querida.

De volta para a rua cheia de casais que passeavam de mãos dadas, ela andava sem saber se sorria ou se chorava. Sentia-se violentada pela inexistência do amor e absurdamente feliz pelo mistério da outra mulher que a invadia vez ou outra. Lembrava de Chico Buarque e se sentia reconfortada pelas baixarias e putarias transformadas em poesia. Era um romance sujo, mas era um romance.

Olha, vai indo pra lá e me espera naquela posição. Era um vício e talvez você não entendesse nada olhando para ela. Uma moça bonita, uma moça tão paparicada, uma moça tão menina. Ela tinha homens lhe oferecendo carinho em bandejas de ouro.

Mas talvez você entendesse a moça se mergulhasse fundo nas estranhezas do espírito e lembrasse de um dia em que se excitou com algo doloroso: um amor proibido qualquer, uma falta de telefonema qualquer, um fechar de rosto e um olhar sombrio no lugar de semblantes rosados de amor.

Quando o amor é falso, a mágoa é tão grande que você o trai amando justamente a falta dele.

Ou nem precisa tanto, talvez você entendesse a moça se algo tão preenchedor rasgasse seus orgulhos, suas certezas, suas dignidades.

Ele entrava nela e calava qualquer opinião formada, qualquer preconceito, qualquer direito de ser melhor que alguém. Era um alívio: ela era humana e suja como todos, era louca e estranha, era fraca e o mundo se tornava menos feio e as pessoas mais passíveis de perdão.

Talvez você a entendesse se parasse de pensar um pouco e deixasse o corpo ir até onde o tormento manda. Você a entende bem.

Olha, vai indo pra lá e me espera naquela posição.

Estavam lá mais uma vez. Ela espremida, ele espremendo. O caldo sofrido de uma paixão. Um barulho estranho, a maçaneta manuseada impacientemente, alguém queria entrar ali. Era alguém que tinha errado de quarto e com um pigarreio envergonhado e velho se desculpava pelo erro.

Era tarde demais, com o susto ela tinha olhado para trás e eles haviam se olhado bem no fundo dos olhos por mais de dois segundos.

Você tá linda, esse corte de cabelo ficou ótimo em você você tá bonita.

Ela o tentou beijar pela primeira vez e ele deixou. Tomaram banho juntos e ela fez uma brincadeira com as pintinhas das costas dele. Ele fez uma piada com a pintinha da virilha dela. Eles riram e ela o achou lindo. Ele a achou fantástica e inteligente. Ela beijou o pescoço dele e ele fez um carinho bem de leve nela . Ele a ajudou a sair da banheira e enrolou a toalha em seu corpo, dando um beijo em sua testa. Ela fez cara de menina, ele fez cara de proteção. Atravessaram a rua de mãos dadas, e nunca mais se viram."

(By 
Joice.kutty)

terça-feira, 14 de agosto de 2012

My Mess.

Nova crise conjugal. Puxa vida...
E de tal forma que "não venho hoje, nem amanhã. Espero que tenhas saudades." 

Oh crap.

Fiz o que me pediste.
Na primeira zanga, pediste-me que te contasse quando fosse sair com outras pessoas. Cafés ou encontros simples, sem espinhas.
Ontem coloquei-te a possibilidade de um café, com um velho conhecido, num local público e concorrido. Café e conversa. Sem espinhas.
Que fui eu fazer? Asneira, pois claro
Ficaste triste, chateado por me teres pedido que contasse, e quando o faço não conseguires aceitar. Ficaste amuado...
Tu sofres com isto, mas eu também!
Estou apegada, apaixonada. E de cada vez que há um problema é como se fosse um withdraw total.



Tenho um problema grave. As pessoas zangam-se e eu fico a sentir que não gostam e que irão voltar as costas e seguir sozinhas.
Tenho vontade de fugir. Literalmente.
Estou triste, magoada. Sem força imediata mas com uma força interior de pânico a tornar-se selvagem.
Não suporto o impasse.
Não suporto dar-me mais do que é seguro e estar várias vezes na eminência de perder.
Não sei perder, ja to tinha dito?
Remete-me sempre para a saída de cena do meu pai da minha vida.
O inesperado, a traição, no fundo, de quem era tão próximo e tão seguro e de repente é uma pessoa de quem se tem medo.
É isto que acontece sempre... Para mim as pessoas são voláteis. A qualquer momento, por mais "amo-te" e "gosto de ti" que haja, podem sempre reverter e mudar para o oposto (não é igual em todas as relações, depende da solidez e tempo que têm, mas acontece em todas. Sem excepção).
Tenho feito o politicamente correcto, mas acho que isso está  a destruir, não a construir. Pelo menos numa primeira avaliação.



(Escrito há cerca de 5 meses).

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Testemunho de uma mulher que, aos 23 anos voltou a ter 16.




Fui beber o café com o meu ex.
É verdade, já foi.


"Correu tudo bem?"
Sim, correu bem. SÓ bem.

Damn. =/
Nunca passei por isto, sou uma criança! (a quem ninguém avisou que isto podia acontecer), ou pelo menos, sinto-me como uma criança a aprender. 
Passaram-me tantas coisas pela cabeça durante a conversa...
Passou-me quase tanto pela cabeça como pelo coração.


Consegui, a muito custo, enganá-lo: convenci-o que estava ok com o facto de termos acabado, mas.... big big lie.
A alternativa era dizer a verdade e ele afastar-se, como fez no início, então... enganei-o (shame on me).


Nesse dia, não consegui mais conter...
Não fui capaz de lho dizer presencialmente ( e estava quase a explodir!), mas disse-lhe depois. Um "Amo-te, meu palerma!", que saiu na forma suave de um: "Ainda gosto de ti.".
Com essa conversa percebi que tenho de o deixar ir... Porque ele já foi há muito tempo, mas eu ainda não o deixei ir.


E, como sempre, o meu emocional parece uma criança, que anda sempre 3 passos atrás do meu racional.
No meu racional, é simples: ok, esgotei as possibilidades, tentei, não dá. Há mais pessoas com quem posso arrumar as botas e ter uma vida feliz!
E depois o meu emocional vem: mas, mas, mas..... mas tu ainda gostas TANTO dele!!!!! Não dá, não se pode ir a lado nenhum! Há mais, nem precisas dele, nunca precisaste, mas queres! E é ele que queres!

I'm all fucked up... :/ 

Mas é um fucked up natural, acho eu.
E não deixa de ser interessante. Muito interessante de observar outside the box.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Dei-me conta que...

... a password para o meu segredo contém o teu nome.